Histórico

Histórico do Território Sertão Produtivo

A região que abrange o atual Território de Identidade Sertão Produtivo começou o seu processo de concepção social, político-administrativa e cultural entre os séculos XVII e XVIII. Naquele momento iniciava-se a atuação econômica dos seus municípios e todo Alto Sertão da Bahia. Consequentemente, a sua ocupação aconteceu através da distribuição e posse de terras do Sistema Sesmarias, ou seja, na mesma lógica das Capitanias ereditárias do século XVI. Assim, Antonio Guedes de Brito tornou-se um dos maiores latifundiários da região. Este mesmo apossou-se de uma extensão de terras que compreendia o norte da Bahia até grande parte do norte de minas Gerais. A produção econômica e cultural dessas terras baseava-se em fazendas para a criação de gado de Antonio Guedes. Daí se entende a ocupação e posse das terras ociosas desde o médio São Francisco á Serra Geral. (PDTS 2010).

Anterior a esse processo de ocupação e produção a região era ocupada por índios “tapuias ou gês da tribo dos aimorés” e “tamoios”. Os tapuias são considerados os mais antigos e mais primitivos indígenas do Brasil. Na segunda metade do século XIX, remanescentes de botocudos, pataxós, mongóis, imborés, camacãs, maracás e ferradas, foram aldeados na região durante a segunda metade do século XIX. Posteriormente deslocaram-se para o litoral ou foram assimilados e aculturados. Contudo no Alto Sertão da Serra Geral não havia índios aldeados. Respondendo ofício circular do Presidente da Província, em 1848, Joaquim de Azevedo Monteiro, Juiz Municipal e de Órfãos, informou “não haver terras neste Termo (de Caetité), concedidas para aldeamento de Índios”. Os primitivos habitantes foram absorvidos como mão de obra na agropecuária e perderam sua identidade étnico-cultural.

Consequentemente, o Alto Sertão Baiano foi povoado pelas fazendas de gado no vale do Rio São Francisco e a exploração de ouro e diamantes nas terras do Sertão Produtivo. Essas duas atividades impulsionaram o processo de colonização na medida em que novos espaços eram tomados com a criação de rebanho e exploração de ouro.

Logo os primeiros habitantes do sertão foram fazendeiros, administradores de fazendas, vaqueiros, livres e escravos. A mineração das serras da Tromba e das Almas trouxe pessoas de várias origens, que se instalaram precariamente nos arredores dos garimpos, criando assim os primeiros núcleos populacionais.

Quanto aos primeiros povoados, destacamos Jacobina situada ao norte da Bahia, em 1720, e Nossa Senhora do Livramento das Minas do Rio de Contas no ano de 1724. A partir da segunda metade do século XVIII surgiram novos municípios, em decorrência do crescimento demográfico. Em 1746, Jacobina desmembrou Santo Antonio do Urubu de Cima (atual Paratinga), do qual emancipou Macaúbas em 1832. Deste município emancipou Palmas de Monte Alto, em 1840, que por sua vez desmembrou entre outros Guanambi em 1919.

Minas do Rio de Contas desmembrou-se pela segunda vez em 1810 com a criação da Vila Nova do Príncipe e Santa Ana do Caetité. Este, no decorrer do século XIX, segmentou-se várias vezes, originando: Imperial Vila da Vitória (Vitória da Conquista), em 1840; Santo Antonio da Barra (Condeúba), 1860; Bom Jesus dos Meiras (Brumado), em 1877; Boa Viagem e Almas (Jacaraci), 1880; Vila Bela da Umburana (distrito de Quirapá), 1889.

Durante o século XX o Município de Caetité e os demais municípios emancipados desmembraram em vários outros, a exemplo de Caculé, Ibiassucê, e Rio do Antônio. Tais desmembramentos formaram os atuais municípios do Sertão Produtivo. A autoridade histórica do Município de Caetité está relacionada à sua posição geográfica, uma vez localizada a aproximadamente 900 m de altitude nas encostas de serras e banhado por riachos. Tornou-se assim um próspero ponto de pouso de pecuaristas e mineradores que trafegavam pela região. Aliado a esses aspectos, a terra fértil foi propícia a agricultura policultora.

A cidade de Caetité foi por muito tempo, o centro político, econômico e cultural dessa região. No Alto Sertão, desafiando o isolamento do restante do país e as dificuldades do meio agreste, constituíram-se os caminhos do sertão de difícil acesso. Entre secas devastadoras e carência de recursos para a sobrevivência, o esvaziamento populacional parecia inevitável. Contudo, aqueles que dispunham de algum recurso que fosse suficiente para a produção dos meios de vida, criaram verdadeiros nichos civilizatórios, onde mantinham acesa uma sociedade informada quanto aos distantes acontecimentos do país e deles tomarem partido.

Desse modo, o território teve como característica, a desigualdade nos aspectos econômicos, político, cultural e social, uma vez que desde sua origem congregado a essas “ilhas de civilidade”, havia uma parte majoritária da população formada de analfabetos e sertanejos desprovidos de recursos e castigados pelas estiagens. As chuvas escassas e irregulares fizeram do sertanejo um migrante fugitivo do flagelo da seca. A perda da plantação e do rebanho, além da ausência de perspectivas, fez surgir um tipo característico dessa região – o “sampauleiro”, que pode ser definido como aquele indivíduo que deixava o local de origem para procurar, em terras de São Paulo, melhores condições de trabalho e de sobrevivência. Esse ser social caracterizava-se pelo constante ir e vir, tornando-se um elo entre o Centro-Sul e as comunidades sertanejas. O “sampauleiro” era também um desbravador e, de certo modo, um modernizador da comunidade do alto sertão.

Atualmente o “sampauleiro” denomina-se trabalhadores do corte de cana-de-açúcar que sazonalmente migram para os estados de São Paulo, Mato Grosso e Minas Gerais em busca de trabalho, ainda que duro e às vezes desumano. Expondo-se a essa necessidade Jovens moradores da Zona Rural e Urbana, bem como adultos do sexo masculino de quase todos os municípios do Território Sertão Produtivo, deixam sua terra natal em busca da sobrevivência.

Compreende-se que as peculiaridades e decorrências socioeconômicas e culturais desse movimento migratório precisam ser analisadas no seu conjunto com maior atenção. Pois, o
esvaziamento do campo ainda é bastante frequente, mesmo com a melhoria das condições com infraestrutura implementadas na zona agreste dos municípios, através de programas sociais de (eletrificação, encanamento de água, incentivo agrícola, dentre outros). Imagina-se que certos aspectos culturais são complacentes dessa dinâmica herdada e pouco esclarecida. Todavia, superar velhos vícios nocivos é preciso. Já que a região ainda mantém uma descrição típica do método de colonização delineado anteriormente e as condições socioambientais permanecem como uma característica regional.

No que tange os indicadores socioeconômicos, estes evidenciam uma região cuja população não alcançou um nível de escolaridade equivalente as suas expectativas, dificultando assim um rendimento salarial suficiente às suas necessidades. Tudo isso agravado pelas mesmas condições climáticas de outrora: as secas prolongadas somadas a falta de empenho nas políticas públicas: educação de qualidade, linha de crédito específica e facilitada e com assistência técnica efetiva.